“Pelo menos trinta bois já foram sacrificados este ano, nas localidades de Porto Belo e Governador Celso Ramos, com a «farra de boi», prática de origem açoriana, semelhante
à «malhação de judas». Habitualmente realizada na Semana Santa pelas populações litorâneas de Santa Catarina, a «farra do boi», em vez de um boneco, tem como vítima o animal. Comprado pela comunidade ou doado por
alguma individualidade local, o boi é perseguido até à morte.
Munidos de paus, pedras, açoites e facas – revela a Folha de S. Paulo – participam da «farra» homens, mulheres, velhos e crianças. Assim que o boi é solto, a multidão
o persegue e agride incessantemente. O primeiro alvo são os chifres, quebrados a pauladas. Em seguida, o boi tem os olhos perfurados. A tortura só termina quando o animal, horas depois, já com vários ossos quebrados, não
tem mais forças para correr às cegas, sendo então definitivamente abatido e carneado para um churrasco.
É uma farra meio bárbara.”
Jornal “A Bola”, 23/04/1987
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