sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Mariza - melhor de mim



Hoje, a semente que dorme na terra
E se esconde no escuro que encerra
Amanhã nascerá uma flor

Ainda que a esperança da luz
Seja escassa
A chuva que molha e passa
Vai trazer numa gota amor

Também eu estou
À espera da luz
Deixo-me aqui
Onde a sombra seduz

Também eu estou
À espera de mim
Algo me diz
Que a tormenta passará

É preciso perder
Para depois se ganhar
E mesmo sem ver
Acreditar!

É a vida que segue
E não espera pela gente
Cada passo que dermos em frente
Caminhando sem medo de errar

Creio que a noite
Sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia
Há-de sempre me iluminar

Quebro as algemas neste meu lamento
Se renasço a cada momento
Meu o destino na vida é maior

Também eu vou
Em busca da luz
Saio daqui
Onde a sombra seduz

Também eu estou
À espera de mim
Algo me diz
Que a tormenta passará

É preciso perder
Para depois se ganhar
E mesmo sem ver
Acreditar!

É a vida que segue
E não espera pela gente
Cada passo que dermos em frente
Caminhando sem medo de errar

Creio que a noite
Sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia
Há-de sempre nos iluminar

Sei que o melhor de mim
Está para chegar
Sei que o melhor de mim
Está por chegar
Sei que o melhor de mim
Está para chegar

AC Firmino

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O que é um português?

- (…) O que é um português?
A pergunta apanhou-me desprevenido. Hesitei:
- Bem, antes de mais, suponho, um europeu...
- Os portugueses, europeus? - Riu-se com mansidão. - Nunca foram. Não o eram antes e não o são hoje. Quando conseguirem que Portugal se transforme sinceramente numa nação europeia o país deixará de existir. Repare: os portugueses construíram a sua identidade por oposição à Europa, ao Reino de Castela, e como estavam encurralados lançaram-se ao mar e vieram ter aqui (Goa), fundaram o Brasil, colonizaram África. Ou seja, escolheram não ser europeus.

José Eduardo Agualusa, "Um estranho em Goa", Livros Cotovia/ Fundação Oriente

domingo, 29 de março de 2015

Farra do Boi

Em 1978, o jornal "A Bola" publicava a seguinte notícia acerca da Farra do Boi, no estado de Santa Catarina, Brasil. Volvidos 28 anos parece que pouco ou nada mudou, e a barbárie continua para gáudio de alguns.

“Pelo menos trinta bois já foram sacrificados este ano, nas localidades de Porto Belo e Governador Celso Ramos, com a «farra de boi», prática de origem açoriana, semelhante à «malhação de judas». Habitualmente realizada na Semana Santa pelas populações litorâneas de Santa Catarina, a «farra do boi», em vez de um boneco, tem como vítima o animal. Comprado pela comunidade ou doado por alguma individualidade local, o boi é perseguido até à morte.
Munidos de paus, pedras, açoites e facas – revela a Folha de S. Paulo – participam da «farra» homens, mulheres, velhos e crianças. Assim que o boi é solto, a multidão o persegue e agride incessantemente. O primeiro alvo são os chifres, quebrados a pauladas. Em seguida, o boi tem os olhos perfurados. A tortura só termina quando o animal, horas depois, já com vários ossos quebrados, não tem mais forças para correr às cegas, sendo então definitivamente abatido e carneado para um churrasco.
É uma farra meio bárbara.”


Jornal “A Bola”, 23/04/1987