"quando a banca e o Estado se juntam, é o diabo quem dita a sentença."
Prof. José Hermano Saraiva
"histórias que o tempo apagou", RTP, 1995
quarta-feira, 30 de abril de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
abril em Portugal
1974
foi um ano
em
que
Portugal
sofreu
uma
mudança
política
radical
e
que
obrigou
o
país
a
evoluir,
entre
outros
aspetos,
nos
chamados
“direitos
do
homem”.
Embora
fosse
adolescente,
guardo
na
memória
algumas
situações
ocorridas
na
época.
Em
25
de
abril,
através
de
um
movimento
militar
formado
maioritariamente
por
capitães
chamado
Movimento
das
Forças
Armadas,
um
regime
velho
e
caduco,
a
ditadura
de
direita a que chamaram salazarismo,
caiu
e
um
novo
regime
democrático emergiu.
Uns
dizem
que
devido
a
um
golpe
de
estado,
outros
à
revolução.
Para
mim
foi
um
fruto
podre
que
caiu
e
outro
cresceu
em
seu
lugar.
Foi
também
um
tempo
em
que
cresci
aprendendo
o
valor
da
solidariedade,
da
liberdade,
da
privacidade,
do
direito
à
escolha
ideológica,
política
e
religiosa.
Enfim,
o
direito
a
ser.
Abril
foi
uma
luz
de
esperança
simbolizada
num
cravo
vermelho.
Foi
a
abertura
de
caminhos
que
levaram
a
conquistas
no
direito
ao
trabalho
devidamente
remunerado,
ou
mais
justamente
remunerado.
Ao
trabalho
com
segurança
e
higiene,
subsídios
de
férias
e
natal,
entre
outros.
Trouxe
o
direito
à
participação
cívica
e
coletiva,
a
pertencer
a
partidos
ou
movimentos
políticos
e,
ou,
sociais;
o
direito
à
saúde
e
educação,
ao
transporte
e
habitação.
Trouxe
uma
maior
aproximação
de
direitos
entre
os
homens
e
mulheres.
Foi,
também,
o
fim
de
uma
guerra
colonial
que
durava
há
13
anos
e
do
colonialismo
que
exercíamos
sobre
outros
povos,
principalmente
em África.
Trouxe,
enfim,
a
possibilidade
de
viver
num
país
com
um
regime
mais
próximo
daqueles
vividos
por
grande
parte
da Europa
ocidental.
Passamos
a
ter
uma
assembleia
da
república
composta
por
deputados
eleitos
pelo
povo,
uma
nova
constituição
que
entrou
em
vigor
em
1976
e
que
até
hoje
já
sofreu
algumas
revisões
(1982,
1989,
1992,
1997,
2001,
2004
e
2005).
No
seu
preâmbulo
diz
a
constituição:
“A
25
de
Abril
de
1974,
o
Movimento
das
Forças
Armadas,
coroando
a
longa
resistência
do
povo
português
e
interpretando
os
seus
sentimentos
profundos,
derrubou
o
regime
fascista./
Libertar
Portugal
da
ditadura,
da
opressão
e
do
colonialismo
representou
uma
transformação
revolucionária
e
o
início
de
uma
viragem
histórica
da
sociedade
portuguesa./
A
Revolução
restituiu
aos
Portugueses
os
direitos
e
liberdades
fundamentais.
No
exercício
destes
direitos
e
liberdades,
os
legítimos
representantes
do
povo
reúnem-se
para
elaborar
uma
Constituição
que
corresponde
às
aspirações
do
país./
A
Assembleia
Constituinte
afirma
a
decisão
do
povo
português
de
defender
a
independência
nacional,
de
garantir
os
direitos
fundamentais
dos
cidadãos,
de
estabelecer
os
princípios
basilares
da
democracia,
de
assegurar
o
primado
do
Estado
de
Direito
democrático
e
de
abrir
caminho
para
uma
sociedade
socialista,
no
respeito
da
vontade
do
povo
português,
tendo
em
vista
a
construção
de
um
país
mais
livre,
mais
justo
e
mais
fraterno”
quarta-feira, 16 de abril de 2014
culto da verdade em Portugal
"Em Portugal não há o culto da verdade. É triste mas é assim".
Prof. José Hermano Saraiva, em Lendas e Narrativas, RTP, 1995
Prof. José Hermano Saraiva, em Lendas e Narrativas, RTP, 1995
sábado, 5 de abril de 2014
o rádio amarelo - 1
Um Blackground Micro Boy HS-125, amarelo, comprado na Feira das Galinheiras e ofertado pelo meu pai, era eu um adolescente, foi o meu primeiro aparelho de rádio. . Apenas rececionava em Onda Média, mas há época a maioria das poucas estações de rádio existentes eram em OM. As exceções, se bem me lembro, em FM eram o Rádio Clube Português e a Emissora Nacional. Na região de Lisboa havia em OM os Emissores Associados de Lisboa (EAL), composto por Rádio Graça, Clube Radiofónico de Portugal, Rádio Voz de Lisboa e Rádio Peninsular, estas duas associadas como Rádio Alfabeta; o Rádio Clube Português (RCP); Rádio Renascença (RR), a emissora católica; e a Emissora Nacional (EN), a estação estatal. Após a nacionalização de várias estações de rádio em 1975, e a terem sido englobadas em apenas uma única empresa pública (RDP - Rádio Difusão Portuguesa), os EAL passaram a RDP programa 3 local; o RCP a RDP programa 3 regional; a EN a RDP programa 1. As emissões em FM passaram a RDP programa 2 e RDP programa 4. A RR não foi nacionalizada, manteve-se nas mãos da igreja católica embora tivesse passado por uma ocupação e momentos muito conturbados.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
o que é isto?
O que é isto?...
perguntou a senhora.
É só uma porta fechada.
respondi.
Eu não passo portas fechadas.
retorquiu.
perguntou a senhora.
É só uma porta fechada.
respondi.
Eu não passo portas fechadas.
retorquiu.
início
Dizem por aí, alguns humanos, que os
animais são irracionais, que vivem apenas pelo instinto, que mais
não fazem do que comer e procriar. Mas, se viver-mos com eles,
dão-nos um nome. A mim chamaram-me Café! Vá lá, pelo menos é um
nome original. Podiam ter-me dado algum nome de gato como Tareco ou
Garfield por causa de haver um dos filmes de animação com esse nome
e de ter a mesma cor que eu, mas tiveram o bom senso de o não fazer.
O problema para esses mesmos humanos é
que não conhecem as nossas capacidades mentais. Para eles nós temos
cérebros muito pequenos e limitados. Como eles estão sempre
preocupados com as questões do tamanho não admira que assim pensem.
Deixá-los pensar! Assim como assim, vão trabalhando para nós.
Como diria o Fernando Pessoa, e um gato
culto e inteligente sabes destas coisas, “ai que prazer não
cumprir um dever. Ter um livro para ler e não o fazer!”... Assim,
vou permitir-me a esses prazeres e deixar a escrita para aquele que
dizem ser meu “dono”. Até porque escrever não sei, embora já
tenha feito algumas marotisses no computador dele, e tenho muito para
meditar frente ao vidro da janela enquanto o sol bate nela!
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